Caindo na Real

Sei que muitas vezes tenho sido chato e insistente para que vocês leiam mais, estudem e pensem no futuro. Eu sempre afirmo que a faculdade nunca garantira um futuro na área e nem mesmo que se tornará um bom profissional. Sei também que muitos não vão concordar com isto, mas tudo bem.

Tenho observado alguns trabalhos na nossa turma da faculdade e do pessoal do último ano também, e posso dizer que temos alguns trabalhos medianos, outros razoáveis e outros para terminarem o curso. Vejamos alguns pontos:

  • Muitos dos trabalhos são feitos simplesmente por fazer, sem objetivo. Eu sempre digo: “Cada um deve coçar sua própria coceira”. O que vocês vão fazer com os sistemas desenvolvidos durante o Curso? Por que não fazer algo que possa abrir as portar para um bom futuro?
  • Será que todas as 4793842759 funcionalidades serão usadas? Muitos dos projetos que vi tem vários cadastros e relatórios, e que nunca vai ser usado, mesmo que o sistema vá para produção. A simplicidade é a alma do negócio.
  • Alguns projetos fogem a esta regra, mas a maioria é sistema de gestão comercial para web. Desconheço um sistema de gestão para web funcional, trabalho com web a bastante tempo para saber que estes sistemas deveriam ser Desktop e no muito existirão módulos para web.

Um outro ponto importante: não saber o que fazer e como fazer. Sei que vocês trabalham e muitos não estão na área de TI, e quando estão, não fazem parte do time de desenvolvimento. Mas isto não significa que você não possa tirar um tempo para ler. A leitura é fundamental na nossa área, jamais pensem que se fizerem N faculdades conseguiram ter um bom emprego ( A não ser que seja regulamentada a lei atual de Analistas de Sistemas – mas serão tão medíocres e buscarão continuar assim). E o que devo ler? Terra? Globo? Info? InformationWeek?. Não estou pegando no pé destas sites ou revistas, mas é que tem conteúdo muito mais interessante. Quando comecei minha carreira procurava me atualizar constantemente através destes canais, mas percebi que sempre estava uns 10 passos atrás. O que tinha de errado? as minhas fontes de informações. Existe hoje milhares de blogs, podcasts, screencasts e grupos com diversos temas que precisamos refinar o conteúdo para mantermos o foco.

E como acho um bom blog? Depende do que você gosta ou quer aprender mais. Se você quiser aprender Rails, por exemplo, procure pessoas como Chad Fowler, Dr. Nic e Obie Fernandez – mas os caras escrevem em inglês? Não acha que já passou na hora de começar a estudar? Ou você programa em português? Mas vai demorar muito, não tem nada em português? – Tem sim, e caras bons como Carlos Brando, Fábio Akita, Ronaldo Ferraz, Tapajós, Danilo Sato, Nando Vieira e tantos outros. Mas por que ler estes caras? Porque eles são referencias para a comunidade Rails, assim como Leah Culver para Python/Django. Estas caras estão respirando e vivendo o que tem de melhor no mundo de TI.

Terminou Ozéias? Ainda não, só mais duas coisas. Por que tudo tem que ser Java? Por que ser bitolado? Tem muito programador medíocre que pensa em ser um desenvolvedor Java para garantir um bom salário e, em um belo dia, vai acordar e ver que o cara da mesa do lado – aquele mesmo, o chato – que falava de Ruby, Python, Perl, Linux, Mac, Erlang, Agile e mais um monte de “merda” foi embora pra trabalhar em um emprego dos sonhos! O que ele tem de diferente? Ele não bate cartão.

Pra terminar, ou melhor para começar, uma coisa que me ajudou muito foi o livro “Getting Real” – em inglês novamente? Sim, mas aqui tem a versão em português. É um excelente livro para quem quiser aprender mais sobre como desenvolver uma aplicação web de sucesso.

Terminou agora? Agora sim!

Update:

Voltei, mas só para colocar um link para o post que o Carlos acabou de fazer: Faça com que cada nova funcionalidade prove o seu valor, não deixem de ler.

8 Comments on “Caindo na Real

  1. Getting Real é muito bom mesmo, eu já li por inteiro umas 2 vezes, e sempre que entro no site me pego relendo partes que eu ainda não apliquei.
    Quanto ao TCC é complicado mesmo. O meu não tinha nada haver com o que eu faço hoje =D. Na época eu tinha uma visão muito limitada e pouca experiência também. Entrei na faculdade sem nunca ter escrito uma linha de código e, como o curso era integral, só fui trabalhar de verdade depois de formado.

    Abraço

  2. Realmente o livro ‘Getting Real’ é surpreendente! Faz alguns meses que li, e até hoje sempre vejo coisas que me faz lembrá-lo. Seu ponto de vista sobre ‘faculdade’ é exatamente o meu – quem faz a faculdade é o aluno. E, de nada adianta o cara estudar numa faculdade federal excepcional e não correr atrás. Conheço pessoas, por exemplo, que fizeram faculdade particular e correm muito mais atrás do conhecimento do que outras de faculdades federais (não quero entrar no mérito de qual faculdade é melhor, apenas usei o exemplo para ilustrar)

  3. Você tá zangado hoje hein!! 😀

    Nos meus últimos semestres, eu já estava pensando sobre o assunto. E é chato você ver isso acontecer, acaba por se desanimar com o curso. Foi assim comigo e acho que por isso, hoje não vejo o mesmo valor do diploma como via antes de entrar na universidade!

  4. Opa! Então cadastrinho de conclusão de curso não vale ?!
    hehe
    isso é normal e a maioria é feito em java e a galera sofre pra configurar o JPA!

    mas o interessante é que poucos deles vão chegar até esta fonte!

  5. Isso me fez lembrar Chico Xavier em //moourl.com/sdq0s

    O quê vemos com frequência são trabalhos escolares, projetos e tcc’s mais ou menos, desenvolvido geralmente por alunos mais ou menos, que se tornarão profissionais mais ou menos.

    Caia na real e chega de ser mais ou menos.

  6. Muito bom hein Ozéias, eu sou um dos que mais escuta essas coisas de você, se já não soubesse a respeito disso poderia me enforcar.. hehe
    Ontem a noite eu fui pra Toledo ver os TCCs do povo da faculdade e, como sempre, tem uns projetos bem legais, bem criativos, coisa que não se vê muito por aí e seria de grande utilidade mas muito provavelmente 90% deles nem entrarão em produção, só vai entrar o “do cara que trabalha com o pai”, o “do cara que trabalha com isso e precisa”.. e os outros? muito provavelmente serão um belo de um “tempo perdido”, um espaço no hd que logo será desocupado.. E o porque disso? Porque o povo tem medo de vender a sua proposta.. tem medo de ir atrás..
    sad, but true.. 🙁
    Abração hein bitcho, parabéns pra nós e continue postando.

  7. Opa, perae. Tem alguma coisa de errada. Aqui estou falando por mim, independente de vínculo. O grande problema é a visão amarrada com que muitas pessoas entram na faculdade. A instituição tenta é motivar os alunos e fornecer subsídios para que o aluno cresça. Se ele fez um sistema simples, a escolha é dele. Todas as 7.625.343 matérias, inclusive as 32.876 matérias teóricas, que todo mundo diz que são um saco, são importantes. E são mesmo. No meu tempo de graduação tinha uma visão crítica sobre isso, mas hoje precisamos formar profissionais capazes de atuar em um campo muito vasto. Não estamos formando apenas desenvolvedores. Este é um ponto importante. O aluno tem que se identificar e procurar uma área de atuação, o quanto antes, para que possa absorver mais e mais conhecimentos. Voltando ao ponto de entrada dos alunos na faculdade, vejo alunos se comparando com outros. Falta maturidade por parte de alguns e sobra em outros. Vejo alguns se comparando com um trabalho existente na biblioteca. Isso é um absurdo. Preciso ME comparar. Comparar com o meu desempenho anterior e não com outra pessoa. Se existe algum trabalho com problema, que bom que foi possível identificar o erro, e tenho que ser esperto o suficiente e não repetir a besteira. Parabenizo a vocês que decidiram o foco de atuação e em cima disso procuram mais e mais conhecimentos. Com certeza estão vendo que esse foi o primeiro passo e que ainda se tem muita coisa pela frente.